Um toque pela vida: elas venceram o câncer de mama

cancer-mama1A Campanha Outubro Rosa chega ao fim de mais uma edição com a conscientização sobre a importância da realização do autoexame de mama. O procedimento, realizado pela própria mulher uma vez ao mês, possibilita a identificação da doença e realização do tratamento ainda no início, o que aumenta as chances de cura da paciente.

De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente no mundo e o mais comum entre as mulheres, o que corresponde a 22% das ocorrências a cada ano. Somente em 2014, a previsão do instituto é de 57.120 novos casos.

Ainda segundo o site, as taxas de mortalidade no Brasil são elevadas e esse índice na maioria dos casos, está relacionado ao diagnóstico da doença em estágios avançados.

Com o objetivo de mostrar a importância do autoexame, entrevistamos a história de duas jovens mulheres que identificaram o nódulo ainda no início e venceram a batalha contra o câncer de mama.

 

Isabella Dias

 

O alto astral e o sorriso contagiante são a marca registrada da  Relações Publicas Isabella Dias. E foi com essa energia e determinação que ela superou o câncer de mama descoberto quando ela tinha apenas 29 anos. Sem abrir mão da vida social, ela passou por cirurgia, quimioterapia, radioterapia, queda de cabelo e ainda conseguiu, por meio da sua fé inabalável, dar forças à própria família para enfrentar essa fase com ela.

Em 2007, Isabella observou por acaso um nódulo na mama esquerda. “Um dia deitada, senti um carocinho. Chamei a minha mãe e ela disse que poderia ser um nódulo de gordura que é tão comum em mulheres”, explica. Mesmo assim, Isabella procurou um ginecologista que após solicitar os exames, diagnosticou câncer de mama grau III, ou seja, ainda no início.

O choque não foi somente pela doença. Isabella se perguntava como isso era possível sendo ainda tão jovem, não ter na família nenhum caso e não possuir o perfil de pacientes que se encaixavam no grupo de risco. “Quando soube, chorei demais e só queria dormir sem pensar em nada, mas se Deus me deu isso, então encarei,” diz. A sua determinação a levou a enfrentar o tratamento sem se abater.  Duas semanas depois, ela fez a cirurgia pra retirada do nódulo e, como estava no início, não houve necessidade de retirar a mama.  “Fiz esvaziamento axilar e voltei para casa no mesmo dia, toda enfaixada e com uma sonda.” Mas isso não impediu que ela passasse a noite de Natal com a família, uma semana depois. “Ninguém acreditava que eu estava ali, ainda me recuperando da cirurgia. Mas não quis ficar em casa e nem me entregar,” diz.

Após a cirurgia, Isabella prosseguiu o tratamento com quimioterapia. Ela não teve muitas reações, apenas o inchaço e a queda do cabelo que foi inevitável. Foram seis sessões e, 15 dias após a primeira, os cabelos começaram a cair. Ao lado da mãe e da irmã que seguravam a sua mão, ela raspou os longos cabelos. “Ainda achava que não cairia tudo, mas pensei: cabelo cresce e eu estou viva.” E foi com esse espírito entre a dificuldade de aceitar a nova realidade e a sua confiança que, em vez de comoção, elas riam ao se lembrarem da famosa cena da personagem  interpretada pela atriz Carolina Dieckmann, em “Laços de família”. Assumir o visual foi a parte mais difícil, por isso, logo ela comprou uma peruca. “Hoje em dia encontramos mulheres na rua até mesmo sem lenços na cabeça, mas não época não se falava tanto sobre câncer e, assim que meu cabelos voltaram a crescer, usei mega hair”, diz.

Em seguida, ela iniciou a radioterapia que durou 30 dias seguidos e o tratamento foi finalizado com medicação oral durante mais cinco anos. Hoje, ela está curada e continua fazendo apenas os exames de controle anual.

O diagnóstico precoce, a fé e a determinação de Isabella durante o tratamento, foram fundamentais para a cura e também para a sua qualidade de vida. Mesmo cansada ou indisposta com o processo da radioterapia, ela continuou fazendo o que mais gostava: saía com os amigos e frequentava a academia.  Além do apoio da família, principalmente da mãe e irmã que ficaram ao seu lado todo o tempo, ela também buscou ajuda no livro “Força na peruca!”, da jornalista Mirela Janoti, que de forma bem humorada relata sua experiência ao enfrentar o câncer de mama.

“Agradeço muito à minha família que esteve do meu lado o tempo todo, sem esse apoio seria difícil de encarar”, diz. E hoje, ela tem a resposta para a pergunta que às vezes a entristecia durante o tratamento: por que eu? “Deus me escolheu para passar por isso, devemos aceitar e lutar, descobri que tenho uma força que não sabia que existia, encarei a doença com uma simples alegria de viver que não me deixou cair.”

 

cancer de mama
Isabella Dias

 

 Gislene Kodama

 

Foi o autoexame que permitiu à maquiadora e consultora de beleza Gislene Kodama, com apenas 33 anos, descobrir um pequeno nódulo diagnosticado após exames médicos, como câncer de mama. “Fiquei sem chão, muito assustada, cheia de questionamentos e dúvidas. Mas os médicos me tranquilizaram dizendo que o tipo de célula encontrada, em 90% dos casos se tratava de nódulos benignos”, diz.

Gislene fez a cirurgia para a retirada do nódulo e, como estava no início, ela explica que “não foi necessário retirar praticamente nada da mama”.  A biópsia porém, trouxe uma má surpresa: não era benigno. Além de realizar outra cirurgia recomendada pelo médico para “ampliar a área de segurança”, ela também foi encaminhada para acompanhamento com o oncologista.

Para ela, a necessidade de cirurgia foi a parte mais difícil do tratamento. Mesmo ainda no início e com maior chance de recuperação, este foi o período em que ela enfrentou seus maiores temores. “O dia em que soube da cirurgia, fiquei sem chão. Entrei no carro sem saber para onde iria, como uma enorme sensação de impotência,” diz. “Nesse momento, meu celular tocou e eu engoli o choro e resolvi atender. Era uma amiga que estava no nordeste em uma missão de Natal e, ao ouvir a sua voz, foi o mesmo que ouvir Deus me dizendo que estava comigo e não me abandonaria nunca”.

Após as cirurgias, o tratamento foi realizado com 30 sessões de radioterapia e não houve necessidade de passar pelo processo de quimioterapia.

Foi a fé inabalável e o carinho de alguns amigos e familiares que permitiram que Gislene passasse por todo o tratamento de forma confiante. “Independente do que aconteceria, eu acreditava que Deus sabia o que era melhor pra mim. Fiquei mais reflexiva e, de certa forma, tentando entender o porquê de passar por isso”. Foram poucas pessoas que tomaram conhecimento da doença, pois ela diz que não queria despertar sentimento de pena. Ela preferia enfrentar com força e determinação e, por isso, compartilhou apenas com quem  poderia lhe dar o suporte emocional que precisava naquele momento.  “Encontrei no ministério de música ‘Luz do Mundo’, o sustento na oração; no grupo “Sempre Amigas”, o amor que se escolhe amar; no meu amigo Raimundo, a verdadeira compaixão, na minha filha Júlia, a minha razão de viver e na minha família – aqui incluo a Sandra e o Neném – o amor sem palavras e sem medidas.”

O carinho e atenção no tratamento recebido também fizeram toda a diferença. “Não é um período fácil, mas com profissionais de verdade, fica mais tolerável. Tive a graça de ser atendida por pessoas muito carinhosas e atenciosas, inclusive a minha mastologista Dra. Gilvane Naves”, explica.

Gislene venceu o câncer e, três anos depois, foi surpreendida com uma gravidez. “Foi um verdadeiro milagre. Depois de me sentir completamente impotente, Deus me dá o presente de gerar mais uma vida”, diz ela hoje, mãe de Pedro, de 1 ano.  “Olho pra trás e vejo tudo o que o câncer me deu: mais fé, confiança, amizades que ficarão para sempre, um amor pelas surpresas, felicidade todos os dias, o valor por mais um dia e muita gratidão pela vida”.

 

unnamed (1)

 

 Confira os passos para a realização do autoexame

 

A partir dos 21 anos, o autoexame deve ser realizado mensalmente, uma semana após o início da menstruação. Para mulheres que não menstruam, deve ser escolhido um dia fixo no qual deverá ser repetido a cada mês.

 

Autoexame câncer de mama