{"id":6484,"date":"2018-10-15T16:51:08","date_gmt":"2018-10-15T19:51:08","guid":{"rendered":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/?p=6484"},"modified":"2018-10-15T16:51:08","modified_gmt":"2018-10-15T19:51:08","slug":"nobel-de-quimica-2018-vai-para-trio-que-desenvolveu-proteinas-com-principios-da-evolucao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/nobel-de-quimica-2018-vai-para-trio-que-desenvolveu-proteinas-com-principios-da-evolucao\/","title":{"rendered":"Nobel de Qu\u00edmica 2018 vai para trio que desenvolveu prote\u00ednas com princ\u00edpios da evolu\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Frances H. Arnold, George P. Smith e Sir Gregory P. Winter s\u00e3o os premiados com o Nobel de Qu\u00edmica deste ano.\u00a0\u00a0O trabalho conduzido pelos vencedores teve aplica\u00e7\u00f5es na vida de muitas pessoas. Suas t\u00e9cnicas foram usadas em v\u00e1rios setores, levaram a m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o mais ecol\u00f3gicos e nos ajudaram a desenvolver novos medicamentos contra o c\u00e2ncer.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog_new\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/nobel-da-quimica.jpg\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-6485\" src=\"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog_new\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/nobel-da-quimica.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/nobel-da-quimica.jpg 730w, https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/nobel-da-quimica-300x169.jpg 300w, https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2018\/10\/nobel-da-quimica-107x60.jpg 107w\" sizes=\"(max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Arnold \u00e9 a quinta mulher a ganhar o Nobel em Qu\u00edmica, e ficar\u00e1 com metade do valor. Os outros dois cientistas dividir\u00e3o R$ 2 milh\u00f5es. A americana, do Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia, conduziu a primeira evolu\u00e7\u00e3o dirigida de enzimas \u2014 prote\u00ednas que catalisam rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas \u2014, que podem ser usadas para manufaturar tudo, desde biocombust\u00edveis at\u00e9 farmac\u00eauticos.<\/p>\n<p>O americano George P. Smith, da Universidade do Missouri, desenvolveu um m\u00e9todo, chamado de exibi\u00e7\u00e3o de fago, no qual um v\u00edrus que infecta uma bact\u00e9ria pode ser utilizado para desenvolver novas prote\u00ednas.<\/p>\n<p>Sir Gregory P. Winter, brit\u00e2nico da Universidade de Cambridge, trabalhou a partir do m\u00e9todo da exibi\u00e7\u00e3o de fago para produzir novos farmac\u00eauticos. A exibi\u00e7\u00e3o de fago produziu anticorpos que conseguem neutralizar toxinas, combater doen\u00e7as autoimunes e curar c\u00e2ncer metast\u00e1tico.<\/p>\n<p>Os membros do comit\u00ea afirmaram, durante a coletiva de entrega do pr\u00eamio, que as descobertas contribuem para uma qu\u00edmica mais verde, que substitui catalisadores t\u00f3xicos em processos industriais, e para drogas \u00e0 base de anticorpos com mais efic\u00e1cia e menos efeitos colaterais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Combust\u00edveis verdes<\/strong><\/p>\n<p>O presidente da Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica, Norberto Peporine Lopes, professor da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP Ribeir\u00e3o Preto, explica que o grande marco da pesquisa de Arnold foi estabilizar prote\u00ednas, atrav\u00e9s de muta\u00e7\u00f5es, para que elas conduzam as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas.<\/p>\n<p>&#8220;As prote\u00ednas, essas enzimas, degradam muito f\u00e1cil, ent\u00e3o estabilizar \u00e9 uma coisa extremamente dif\u00edcil. Depois de conseguir produzir essas enzimas em larga escala, Arnold conseguiu que elas catalisassem, ou conduzissem, as rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas. Com isso, foi poss\u00edvel a cria\u00e7\u00e3o de diversos combust\u00edveis sem usar petr\u00f3leo, ou seja, combust\u00edveis verdes, inclusive para avi\u00f5es. Isso \u00e9 incr\u00edvel&#8221;, comenta Peporine Lopes.<\/p>\n<p>Algumas enzimas (prote\u00ednas) do corpo s\u00e3o capazes de acelerar rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, por isso a evolu\u00e7\u00e3o dirigida, base da pesquisa de Arnold, \u00e9 t\u00e3o importante, de acordo com a professora Sara Snogerup Linse, da Universidade de Lund, especialista em ci\u00eancia molecular de prote\u00ednas e membro do comit\u00ea do Nobel.<\/p>\n<p>&#8220;Existem rea\u00e7\u00f5es que n\u00f3s queremos fazer, em s\u00edntese qu\u00edmica ou para produzir novos combust\u00edveis, que essas enzimas n\u00e3o conseguem fazer, ent\u00e3o precisamos melhor\u00e1-las. Essa \u00e9 uma parte do pr\u00eamio: fazer com que as enzimas conduzam novas e melhores rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas do que as que temos hoje&#8221;, explicou.<\/p>\n<p>Snogerup Linse explica que, na natureza, o processo de evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 aleat\u00f3rio e longo, causado por muta\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m aleat\u00f3rias. Na sua pesquisa, Arnold &#8220;acelerou&#8221; a evolu\u00e7\u00e3o e criou objetivos para ela, agilizando processos que normalmente levariam bilh\u00f5es de anos a acontecerem em quest\u00e3o de semanas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Anticorpos<\/strong><\/p>\n<p>Peporine Lopes explica que a pesquisa de Smith e Winter permite pensar em tratamentos direcionados de forma mais espec\u00edfica a c\u00e9lulas cancer\u00edgenas ou a doen\u00e7as autoimunes. &#8220;Eles conseguiram introduzir sequ\u00eancias de DNA em um v\u00edrus. Quando o v\u00edrus infectava a bact\u00e9ria, ela produzia anticorpos, chamados monoclonais, que podiam ser depois isolados, purificados, para serem usados em rem\u00e9dios&#8221;, explica.<\/p>\n<p>De acordo com o professor, os cientistas foram os primeiros a humanizar a t\u00e9cnica, fazendo a bact\u00e9ria produzir um anticorpo que n\u00e3o causa rea\u00e7\u00e3o ao paciente, porque o anticorpo fica &#8220;limpo&#8221;, sem as regi\u00f5es que s\u00e3o reconhecidas pelo corpo como estranhas a ele e que causam rea\u00e7\u00f5es adversas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quinta mulher<\/strong><\/p>\n<p>A \u00faltima mulher a ganhar o Nobel em qu\u00edmica foi Ada Yonath, em 2009. Em 1964, Dorothy Crowfoot Hodgkin levou o pr\u00eamio sem dividi-lo, a segunda e \u00fanica al\u00e9m de Marie Curie, que ganhou em 1911. Em 1935, a vencedora foi Ir\u00e8ne Joliot-Curie, filha de Curie.<\/p>\n<p>A Funda\u00e7\u00e3o Nobel anunciou na segunda-feira (1\u00ba) os vencedores em Medicina, premiados por uma pesquisa de imunoterapia contra o c\u00e2ncer. Na ter\u00e7a-feira (2), uma mulher ganhou o pr\u00eamio de F\u00edsica pela primeira vez em 55 anos, junto com outros dois pesquisadores, por descobertas sobre laser. Os ganhadores na categoria Paz e Economia ser\u00e3o conhecidos na sexta (5) e segunda-feira (8), respectivamente. O pr\u00eamio em Literatura foi adiado para 2019.<\/p>\n<p>Os laureados receber\u00e3o o pr\u00eamio no dia 10 de dezembro, em Estocolmo, quando o rei Carl XVI Gustaf da Su\u00e9cia ir\u00e1 entregar a medalha e o diploma do Nobel aos vencedores. O vencedor na categoria Paz receber\u00e1 o pr\u00eamio em Oslo, das m\u00e3os do rei noruegu\u00eas Harald V.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fonte: Icosmetologia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Frances H. Arnold, George P. 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