{"id":6680,"date":"2018-11-30T07:11:14","date_gmt":"2018-11-30T10:11:14","guid":{"rendered":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/?p=6680"},"modified":"2018-11-30T07:11:14","modified_gmt":"2018-11-30T10:11:14","slug":"proteina-vegetal-evita-menopausa-precoce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/proteina-vegetal-evita-menopausa-precoce\/","title":{"rendered":"Prote\u00edna vegetal evita menopausa precoce"},"content":{"rendered":"<p><strong>Estudo com dados de 85,6 mil mulheres mostra que a ingest\u00e3o di\u00e1ria de tr\u00eas a quatro por\u00e7\u00f5es de alimentos como feij\u00e3o e p\u00e3o preto reduz em 16% o risco de encerramento do ciclo reprodutivo antes dos 45 anos.<\/strong><!--more--><\/p>\n<p>\u00daltima etapa do ciclo reprodutivo, a menopausa \u00e9 esperada por volta dos 52 anos, embora possa acontecer, naturalmente, um pouco antes. Contudo, quando o fim do per\u00edodo f\u00e9rtil anuncia-se entre 40 e 45 anos, considera-se que a mulher entrou precocemente nessa fase. As causas s\u00e3o desconhecidas, mas se sugere que fatores ambientais, de estilo de vida e gen\u00e9ticos (esses, menos frequentes) estejam por tr\u00e1s de um problema que afeta de 5% a 10% do mundo ocidental.<\/p>\n<p>Agora, uma pesquisa da Universidade de Massachusetts em Amherst e da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica Harvard T.H.Chan, ambas nos EUA, encontrou uma associa\u00e7\u00e3o entre o consumo de prote\u00ednas vegetais e o prolongamento da fun\u00e7\u00e3o reprodutiva. No estudo, publicado no American Journal of Epidemiology e realizado com 85.682 norte-americanas, as cientistas Maegan Boutot e Elizabeth Bertone-Johnson constataram que mulheres que ingeriam de tr\u00eas a quatro por\u00e7\u00f5es di\u00e1rias de fontes proteicas vegetais, como p\u00e3o integral e feij\u00f5es, tinham 16% menos risco de entrar na menopausa antes dos 45 anos.<\/p>\n<p>Boutot e Bertone-Johnson explicam que a literatura cient\u00edfica evidencia que um consumo elevado de prote\u00edna vegetal, em animais, est\u00e1 relacionado ao retardo da menopausa. Em uma dessas pesquisas, 61 f\u00eameas de macacos receberam uma dieta rica em prote\u00edna animal (case\u00edna e albumina) ou vegetal (soja com isoflavonas). Depois de 32 meses de tratamento, os ov\u00e1rios daquelas que consumiram a soja tinham significativamente mais fol\u00edculos que os das demais.<\/p>\n<p>Investiga\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias com humanos tamb\u00e9m sugerem essa associa\u00e7\u00e3o. Citado pelas autoras no artigo, um estudo conduzido com 1.130 japonesas de 35 a 54 anos indicou que a ingest\u00e3o de vegetais verdes e amarelos estava inversamente associada \u00e0 incid\u00eancia da menopausa ao longo de seis anos de acompanhamento. Essa foi a mesma constata\u00e7\u00e3o de uma pesquisa alem\u00e3 realizada com 5,5 mil mulheres, \u00e0 qual as autoras tamb\u00e9m fazem refer\u00eancia. Por fim, elas mencionam um estudo sobre composi\u00e7\u00e3o diet\u00e9tica e infertilidade realizado nos Estados Unidos com mais de 1 mil participantes. O resultado foi que aquelas com consumo excessivo de prote\u00edna animal tinham mais risco de se tornarem inf\u00e9rteis antes do tempo, enquanto que a substitui\u00e7\u00e3o de 5% desse nutriente pelo de origem vegetal reduzia a chance em 50%.<\/p>\n<p>Agora, as pesquisadoras usaram informa\u00e7\u00f5es do Estudo de Sa\u00fade de Enfermeiras \u2014 um grande banco de dados norte-americano sobre diversos aspectos da sa\u00fade de trabalhadoras da \u00e1rea que tem servido de base para pesquisas epidemiol\u00f3gicas \u2014 para confirmar essa associa\u00e7\u00e3o. As mais de 85 mil mulheres foram acompanhadas ao longo de 11 anos, com question\u00e1rios frequentes nos quais deviam informar h\u00e1bitos alimentares e se j\u00e1 haviam entrado na menopausa. Depois de ajustar os fatores de risco, como tabagismo, sedentarismo e \u00edndice de massa corporal, as cientistas descobriram que as que consumiam 6,5% das calorias di\u00e1rias de prote\u00edna vegetal tinham 16% menos risco de entrar precocemente na menopausa do que aquelas cuja ingest\u00e3o desse nutriente chegava ao m\u00e1ximo a 3,9% das calorias.<\/p>\n<p>As investigadoras, em seguida, examinaram quais alimentos ricos em prote\u00edna estavam mais associados ao risco reduzido de menopausa precoce. Elas testaram como uma por\u00e7\u00e3o di\u00e1ria de carne vermelha, ave, frutos do mar, ovos, soja\/tofu, ervilhas, feij\u00f5es\/lentilha, amendoim, nozes, manteiga de amendoim, macarr\u00e3o, p\u00e3o preto e cereal matinal poderiam influenciar nessa quest\u00e3o. Os alimentos que aparentemente t\u00eam mais potencial protetivo foram os tr\u00eas \u00faltimos. Carnes de qualquer tipo n\u00e3o aumentaram o risco, mas tamb\u00e9m n\u00e3o ofereceram nenhuma prote\u00e7\u00e3o contra a menopausa precoce.<\/p>\n<p>\u201cUma compreens\u00e3o melhor sobre como a ingest\u00e3o de prote\u00edna vegetal est\u00e1 relacionada ao envelhecimento do ov\u00e1rio pode identificar formas das mulheres modificarem seu risco de menopausa precoce e das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade associadas\u201d, diz Maegan Boutot, primeira autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Massachusetts em Amherst (Leia Tr\u00eas perguntas para). Embora menos prejudicial do que a menopausa que ocorre antes dos 30 anos, a que surge entre os 40 e 45 anos tem consequ\u00eancias como aumento do risco cardiovascular e de osteoporose, entre outros. Sem contar, claro, com a infertilidade.<\/p>\n<p>A empres\u00e1ria Eliane Januzze, 41 anos, postergou a gesta\u00e7\u00e3o devido \u00e0 dificuldade em conciliar o trabalho com o MBA. Aos 37, foi surpreendida com altera\u00e7\u00f5es no fluxo menstrual e ondas de calor. \u201cDepois de um ano, meu m\u00e9dico admitiu que eu estava na perimenopausa. Mas, como esses sintomas podem aparecer at\u00e9 10 anos antes da menopausa, n\u00e3o fiquei muito preocupada. Ele me passou anticoncepcional, mas as p\u00edlulas me deixaram deprimida e com muita ins\u00f4nia\u201d, relata. Em janeiro passado, Eliane completou um ano sem menstruar. Ou seja, encerrou, definitivamente, o per\u00edodo f\u00e9rtil. \u201cEu pensava em ter um filho depois dos 40, mas isso n\u00e3o vai acontecer, pelo menos n\u00e3o biologicamente. O que mais me incomoda \u00e9 ser uma mulher jovem, mas com sintomas que atrapalham muito a qualidade de vida. Estou sempre cansada e tenho muita dor de cabe\u00e7a\u201d, diz a empres\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>Influ\u00eancia dos h\u00e1bitos<\/strong><\/p>\n<p>A nutricionista e professora da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Livia Penna destaca a import\u00e2ncia do artigo de Maegan Boutot e Elizabeth Bertone-Johnson, principalmente por elas terem acompanhado, por muito tempo, um n\u00famero expressivo de mulheres. \u201cTrabalhos com animais j\u00e1 tinham feito a associa\u00e7\u00e3o da prote\u00edna vegetal com o tempo de funcionamento dos ov\u00e1rios, mas esse \u00e9 o primeiro que vejo com humanos\u201d, diz a professora e autora do livro Maturesc\u00eancia, poder e cura da mulher na menopausa. \u201cEsse estudo traz mais luz ao conhecimento sobre o que leva \u00e0 menopausa precoce, um problema que n\u00e3o tem a ver com hereditariedade nem com a idade em que a mulher menstruou pela primeira vez. \u00c9 um conhecimento que vou levar para meus cursos, porque pode ajudar muitas mulheres com 40 anos que queriam ter filhos, mas j\u00e1 est\u00e3o entrando na menopausa\u201d, conta Livia Penna, que ministra, periodicamente, o workshop Menopausa com Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m nutricionista, Daniel Novais, membro do Conselho Regional de Nutricionistas da 1\u00aa Regi\u00e3o (DF), diz que essa \u00e9 mais uma evid\u00eancia da associa\u00e7\u00e3o entre o estilo de vida e a menopausa. Ele lembra que, al\u00e9m do fator protetivo sugerido pelo estudo norte-americano, j\u00e1 se sabe que o que se come influ\u00eancia nos sintomas que tanto incomodam as mulheres. \u201cO ganho de massa magra \u00e9 importante para o controle hormonal e o controle dos sintomas da menopausa. Para ter massa magra, \u00e9 preciso fazer exerc\u00edcios e consumir prote\u00ednas\u201d, diz. Para Novais, as de origem animal s\u00e3o t\u00e3o v\u00e1lidas quanto as vegetais. \u201c\u00c9 importante lembrar que a gordura visceral, essa que se concentra no abd\u00f4men, precisa ser reduzida porque ela baixa a produ\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios femininos\u201d, ensina.<\/p>\n<p>&#8220;O ganho de massa magra \u00e9 importante para o controle hormonal e o controle dos sintomas da menopausa. Para ter massa magra, \u00e9 preciso fazer exerc\u00edcios e consumir prote\u00ednas\u201d,Daniel Novais, nutricionista e membro do Conselho Regional de Nutricionistas.<\/p>\n<p>A estimativa \u00e9 5% a 10% de mulheres do mundo ocidental s\u00e3o afetadas pela menopausa precoce.<\/p>\n<p>Tr\u00eas perguntas para Maegan Boutot, principal autora do estudo e pesquisadora da Universidade de Massachusetts em Amherst, quando a pesquisa foi realizada<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 alguma explica\u00e7\u00e3o para a associa\u00e7\u00e3o entre consumo de prote\u00edna vegetal e menor incid\u00eancia de menopausa precoce?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 apenas explica\u00e7\u00f5es hipot\u00e9ticas para essa associa\u00e7\u00e3o. No nosso artigo, propomos que dietas aterog\u00eanicas, ou aquelas que podem levar ao endurecimento e ao bloqueio das art\u00e9rias, afetam negativamente o sistema reprodutivo ao diminuir o fluxo sangu\u00edneo para dentro das art\u00e9rias ovarianas. Mulheres que comem mais prote\u00ednas vegetais podem ficar protegidas ou, ao menos, menos propensas a experienciar esses efeitos cardiovasculares negativos no sistema reprodutivo, j\u00e1 que fontes de prote\u00edna vegetal cont\u00eam propriedades antiaterog\u00eanicas. A prote\u00edna vegetal tamb\u00e9m \u00e9 menos aterog\u00eanica que a animal, em modelos animais. Contudo, n\u00e3o temos evid\u00eancia suficiente para dizer que esse \u00e9 o mecanismo causal por tr\u00e1s da nossa associa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como a sociedade ocidental consome grandes quantidades de carne, podemos esperar um aumento no n\u00famero de mulheres que passar\u00e3o pela menopausa precoce?<\/strong><\/p>\n<p>Eu n\u00e3o diria que devemos esperar um aumento. N\u00f3s descobrimos que n\u00e3o h\u00e1 associa\u00e7\u00e3o entre consumo de prote\u00edna animal e menopausa precoce. Hipoteticamente, como as fontes de prote\u00edna vegetarianas e veganas est\u00e3o se tornando mais populares, ao menos nos Estados Unidos, n\u00f3s podemos ver um decr\u00e9scimo na incid\u00eancia da menopausa precoce, mas n\u00e3o posso afirmar com certeza.<\/p>\n<p><strong>As isoflavonas da soja podem contribuir para a incid\u00eancia menor de menopausa precoce em mulheres que consomem mais prote\u00ednas vegetais?<\/strong><\/p>\n<p>Elas podem desempenhar um papel, mas \u00e9 dif\u00edcil dizer. As mulheres no nosso estudo n\u00e3o tendiam a consumir muita soja. A maior parte da prote\u00edna vegetal vinha de massas, p\u00e3o preto e cereal matinal. Em modelos estat\u00edsticos que investigam a rela\u00e7\u00e3o da soja com a menopausa precoce, nossos resultados foram insignificantes. Isso pode ser porque o consumo de soja na nossa popula\u00e7\u00e3o era muito baixo para se detectar uma rela\u00e7\u00e3o, ou pode significar que n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o. S\u00e3o necess\u00e1rios mais estudos. J\u00e1 se sugeriu que as isoflavonas da soja protegem a fun\u00e7\u00e3o ovariana ao reduzir a inflama\u00e7\u00e3o e o estresse oxidativo, mas \u00e9 dif\u00edcil dizer qual seria essa causa dentro da nossa popula\u00e7\u00e3o estudada, j\u00e1 que consumiam pouca soja.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Fonte: Mercado Farmac\u00eautico<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo com dados de 85,6 mil mulheres mostra que a ingest\u00e3o di\u00e1ria de tr\u00eas a quatro por\u00e7\u00f5es de alimentos como feij\u00e3o e p\u00e3o preto reduz &hellip; <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6681,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-6680","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias","latest_post"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6680","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=6680"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/6680\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/6681"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=6680"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=6680"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/adeliamendonca.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=6680"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}