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Hábitos saudáveis previnem o diabetes

Não por acaso, o número de diabéticos quase quadruplicou desde 1980, segundo dados da Organização Mundial de Saúde: em todo o mundo, principalmente nos países desenvolvidos, existem 422 milhões de adultos com a doença. No Brasil, não é diferente. Segundo dados da Pesquisa Nacional da Saúde, divulgada em 2015, o diabetes atinge 9 milhões de brasileiros.

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Além do sedentarismo, a endocrinologista Lúcia Flávia Carpilovsky, do Hospital Adventista Silvestre no Rio de Janeiro e membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia, cita outros fatores que influenciam como o fato de vivermos mais, o que aumenta as chances de desenvolver a doença. “Além disso, a dieta ocidental é muito rica em alimentos à base de carboidratos, o que leva ao aumento da glicose, que é o que caracteriza a doença,” explica.

Existem dois tipos de diabetes: o tipo 1, quando há diminuição ou ausência da produção de insulina, e o tipo 2, que representa 80% dos casos, é multifatorial e no qual nem sempre ocorre a redução da insulina.

No caso do diabetes tipo 1, ou diabetes juvenil, o corpo não fabrica insulina, ou sua produção é insuficiente. Trata-se de uma doença autoimune que se manifesta na infância ou juventude, até os 35 anos. Entre os sintomas mais comuns estão vontade de urinar exagerada, sede e fome constantes, perda de peso, fadiga e alterações de humor. Os doentes precisam tomar insulina diariamente.

No diabetes tipo 2, o pâncreas sintetiza a insulina, mas ela não é aproveitada como deveria. É mais frequente em adultos, a partir dos 40 anos, sobretudo quando há antecedentes familiares. O excesso de peso é um fator preponderante.

Os principais sintomas são visão embaçada, infecções frequentes, sensação de formigamento nos pés e dificuldade para cicatrizar feridas. Aumento exagerado da fome e da sede e vontade frequente de urinar – sintomas da hiperglicemia – também ocorrem.

Em geral, o tratamento se resume a uma mudança no estilo de vida, com a adoção de uma dieta saudável e o hábito de fazer exercícios. Conforme o caso, pode ser necessário tomar medicamentos por via oral ou insulina.

 Açúcar está na origem da doença

O diabetes mellitus, ou simplesmente diabetes, é uma doença crônica causada pela elevação da taxa de açúcar no sangue. Após serem ingeridos, os alimentos são metabolizados no aparelho digestivo, em um processo que se inicia na boca, continua no estômago e intestinos. Por meio do sangue, vitaminas, proteínas e minerais extraídos dos alimentos chegam a todo o organismo.

Para que os açúcares, principais combustíveis do nosso corpo, penetrem nas células e se transformem em energia é preciso que o pâncreas forneça um hormônio chamado insulina. Nos diabéticos, essa produção inexiste, é insuficiente ou, apesar de adequada, por alguma razão não consegue cumprir sua função, o que é chamado resistência à insulina.

Diagnóstico é muito simples

Com o tratamento adequado, pode-se viver bem com o diabetes. Por se tratar de uma doença crônica, o objetivo das terapias é prevenir o surgimento das complicações, que podem ocorrer em vários órgãos. “Sabe-se que alguns são mais ‘sensíveis’ à doença, como os rins, a retina, o sistema cardiovascular (coração e vasos) e os nervos periféricos. Além desses ‘alvos preferenciais’, a doença também pode levar à disfunção erétil, causar alterações gastrointestinais e de humor, devido a fadiga. Ou seja, pode alterar todo o organismo,” alerta a Dra. Lúcia Flávia Carpilovsky.

O diagnóstico é confirmado por meio de um exame laboratorial que verifica a glicemia em jejum. Caso o resultado fique entre 100 e 125mg/dl, é preciso repetir o teste, uma vez que fatores como o tipo de alimentação na véspera da coleta podem elevar o nível de glicose no sangue.

Nesse caso, o médico pede um Teste Oral de Tolerância à Glicose (TOTG). Se o resultado for acima de 140mg/dl, considera-se que a pessoa é pré-diabética ou intolerante à glicose e, se for maior do que 200mg/dl, o diagnóstico é de diabetes. Também é considerada diabética a pessoa que tem duas glicemias em jejum iguais a 126mg/dl ou acima disso. Em muitos casos, a doença é assintomática, constatada por meio da alteração no teste de glicemia, daí a importância dos check-ups.

Em gestantes, o TOTG é feito no segundo trimestre da gravidez para avaliação do diabetes gestacional. Este surge durante a gravidez e tem entre suas causas possíveis o excesso de peso. Depois do parto, a doença pode persistir ou desaparecer.

Cuidados e prevenção

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A prevenção depende de mudanças no estilo de vida, que incluem alimentação saudável, sem exagero no consumo de açúcar e carboidratos em geral, evitar fumar e manter o peso ideal.

De modo geral, é preciso evitar alimentos de alto índice glicêmico. Absorvidos rapidamente, eles elevam a taxa de glicose de forma igualmente rápida, provocam sensação de fome precoce e podem aumentar os níveis de triglicerídeos (gordura) no sangue.

A prática de uma atividade física regular também é uma grande aliada: além de contribuir para a perda de peso, que beneficia sobretudo o diabético que está com sobrepeso ou obeso, também aumenta o consumo de glicose pelas células, durante o exercício. Leva a diminuição da resistência à insulina, comum no diabético tipo 2 e que, com o tempo, ocasiona um aumento das glicemias. Também ajuda na diminuição dos triglicerídeos, que levam ao aumento da glicose.

Com relação ao tratamento medicamentoso, a endocrinologista afirma que houve um grande avanço, com o surgimento de novas drogas e novos tipos de insulina: “Além do aumento nas opções de medicamentos, cresceu a possibilidade de um bom controle da glicemia, o que contribui para a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes,” acrescenta a especialista, que orienta: “O medicamento é sempre individual e deve ser indicado pelo endocrinologista.”

Os recursos para evitar o diabetes estão ao alcance de todos nós. Adotar um estilo de vida saudável só traz benefícios: alivia o estresse, contribui para o bom humor e a socialização e mantém o corpo em forma.

Mude seus hábitos!

Fonte: Revista Les Nouvelles

 

 

 

 

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