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Unhas bem tratadas – cuidados que vão além da estética

Elas são um curinga na composição de uma bela mão. Os homens começam a entender essa nova conduta e já disputam espaço nas agendas das manicures e podólogos. Afinal, todos sabem que uma unha doente ou com aparência comprometida pode significar desleixo com a higiene pessoal e mesmo problemas de saúde.

Não é para menos. As unhas protegem as extremidades dos dedos e nos permitem fazer um sem número de atividades com segurança e sem dor. Por outro lado, são suscetíveis a doenças, como as onicomicoses (micoses de unha), a onicocritose (unha encravada) e a onicogrifose (atrofia das unhas). “Coloração estranha, rachaduras, fissuras e irregularidades são alguns dos sinais que merecem cuidados”, diz a dermatologista Kátia Castelo Branco.

Carência de vitaminas, uma das causas

A especialista explica que as unhas são formadas por uma proteína chamada queratina, apreciada pelos fungos. Por isso, são suscetíveis a micoses causadas por esses microorganismos, transmitidas em praias e piscinas, ou por instrumentos contaminados.

“Os fungos preferem lugares úmidos, escuros e fechados, razão pela qual os pés são mais acometidos. A combinação meia-sapato-transpiração cria o ambiente ideal para as micoses”, explica a podóloga Maria Elaine Hagino.

Para orientar e qualificar os profissionais dessa área, a Editora Senac Nacional lançou o livro “Unhas – técnicas de embelezamento e cuidados básicos com mãos e pés”, das jornalistas Ana Lúcia Prôa e Silvia Marta Vieira. A proposta da obra – que também é voltada para o público leigo – é indicar meios de unir estética e saúde, beleza e higiene, no trato das mãos e pés.

Na lista das possíveis causas de problemas destacam-se a baixa imunidade, o estresse, a carência de vitaminas e minerais (principalmente magnésio, silício e ferro), a falta de água no organismo e a alimentação deficiente em proteínas.

Sinais de alerta

O aspecto das unhas também pode indicar que algo não vai bem com o organismo, afirma a Dra. Kátia: “Linhas longitudinais pronunciadas, cristas e depressões, comuns em idosos, podem ser sinais de líquen plano (doença de origem desconhecida, que provoca manchas na pele, placas arroxeadas que coçam, e que também pode acometer as unhas), ou artrite reumatoide. Marcas transversais sugerem traumas repetidos na matriz da unha”. A especialista chama a atenção ainda para pequenas depressões puntiformes, ou pittings ungueais, que podem surgir em casos de psoríase, eczemas e alopecia areata, mas também podem estar relacionados a alterações da glândula tireóide.

Quanto à forma, pode ocorrer uma deformidade conhecida como coliloníquia, que se manifesta por uma concavidade acentuada da unha e que aparece por traumas repetidos e por anemias por deficiência de ferro. Esta alteração também pode ter causas hereditárias, ser ocasionada por desordens cardiológicas e hematológica, infecções como a avitaminose, sífilis e diabetes.

Nas alterações de cor, como na chamada leuconiquia, as unhas ficam com coloração esbranquiçada, enquanto nas melanoníquias elas escurecem. “Nestes casos, várias causas podem estar envolvidas, como alterações renais, pulmonares e fúngica. As melanoníquias podem indicar presença de tumores ungueais (câncer de unha)”, diz a dermatologista.

E a cutícula?

Segundo a dermatologista Katia Castelo esta estrutura é muito importante, já que que proporciona uma selagem e impede o acesso de fragmentos e de microorganismos à matriz. “Quando esta proteção é perdida pode ocorrer inflamação ou surgirem irritações, causando distúrbios morfológicos. A cutícula nunca deve ser retirada totalmente”, diz.

A Dra. Katia alerta sobre a esterilização dos equipamentos: é preciso, no mínimo, uma hora de esterilização a 170° C. “O autoclave é mais segura e eficaz”, afirma.

A unha postiça é uma boa opção para esconder distrofias e recuperar as unhas roídas, fracas ou escamando. Mas não deve ter seu uso continuado ou repetido. “O ideal é reserva-la para uma emergência, pois ele pode favorecer o aparecimento de micoses e dermatites”, alerta a podóloga Maria Hagino.

Sapatos devem ser confortáveis

Nas unhas do pé, o grande vilão pode ser o sapato, sobretudo o de bico fino. Maria Hagino aconselha que todo calçado seja comprado no fim de uma dia normal de trabalho e atividades. “Á tarde, os pés sempre apresentam algum inchaço e vão reclamar se experimentarmos um calçado desconfortável”, garante.

Saltos com mais de 5 centímetros fazem com que o peso do corpo se concentre todo na parte da frente dos pés, prejudicando não só as unhas como também joelhos e coluna. “Há casos em que os dedos começam a tomar o formato de garras, de modo a firmar melhor os pés dentro dos sapatos. As unhas podem até cair”, alerta a especialista.

Para diagnosticar e tratar todos os problemas, a parceria entre médicos, podólogos e manicures é essencial. A manicure ao notar qualquer anomalia, deve encaminhar o cliente a um dermatologista, que indicará o tratamento correto.

“O corte inadequado pode provocar ou agravar as unhas encravadas, mais frequentes quando elas têm formato convexo, são mais arredondadas nas laterais e têm as extremidades para dentro da pele”, explica o dermatologista Francisco Le Voci.

Segundo a podóloga Maria Hagino o ideal é o formato quadrado, com as extremidades arredondadas. “Mas também são aceitáveis os cortes amendoados, redondos e pontiagudos, caso combinem mais com a anatomia dos dedos. Há casos de uma unha encravada em que é necessário colocar uma órtese (aparelho corretor do formato das unhas). Em outros, o podólogo tem treinamento e instrumentos adequados para realizar uma espiculaectomia, retirada do cantinho da unha conhecido como espigão”, diz a podóloga Maria Hagino.

Alimentação, cuidado essencial

Para a nutricionista Bia Rique, uma dieta rica em vegetais, frutas e proteínas, como carnes magras, peixes, aves e laticínios é suficiente para manter as unhas fortes e saudáveis. “O segredo está no equilíbrio. A desidratação também atinge a saúde da unha. Ela perde líquido cem vezes mais rápido do que a pele. Para evitar escamações e rachaduras, é importante beber muito líquido”, indica a nutricionista.

Outra causa da rachaduras é o uso excessivo da lixa, que pode tornar as unhas quebradiças. Elas devem ser polidas, no máximo, uma vez por semana. Um bom esmalte evita a perda excessiva de umidade. Mas o uso contínuo impede que as unhas respirem. O ideal é dar dois dias de intervalo antes de pintar novamente.

Na hora do banho, é aconselhável ter uma escovinha para limpar as unhas, enxaguar bem pés e mãos e secá-los cuidadosamente.

A saúde das unhas deve ser prioritária. Bem cuidadas, elas funcionam como um cartão de visita e são mais um instrumento de sedução…

 

Consultores: Dra. Kátia Castelo Branco dermatologista; Dr. Francisco Le Voci dermatologista, coordenador do setor de unha e cabelo da Sociedade Brasileira de Dermatologia; Bia Rique nutricionista e Maria Elaine Hagino podóloga, presidente da Associação Brasileira de Podologia.

 

Fonte: Revista Les Nouvelles

 

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