Não é por mera coincidência que as micoses proliferam principalmente nesta época do ano: a combinação de calor e umidade, típica do verão, é perfeita para a disseminação dos fungos, causadores do problema.
Estimativas indicam que existem mais de 230 mil tipos de fungos em todo planeta. Num primeiro momento o número parece assustador. Mas não é para tanto. Esses microorganismos estão por toda parte e evitar o contato direto com eles é uma tarefa praticamente impossível. Mas apenas certas espécies causam as micoses, que podem ser prevenidas com algumas ações no dia-a-dia.
Quando os fungos encontram condições favoráveis, como umidade e calor excessivos, se reproduzem rapidamente e desencadeiam a infecção. Se não for tratada adequadamente, a micose pode servir para outras infecções.
As micoses podem ser classificadas em dois grupos: as superficiais e as subcutâneas ou sistêmicas.
Nas superficiais, os fungos se desenvolvem na camada externa da pele, ao redor dos pelos ou nas unhas, alimentando-se da proteína queratina e da própria pele. Cerca de 30% da população mundial sofre de problemas causados por micoses superficiais, que podem ser divididas em dois grupos principais, as ceratofitoses e as dermatofitoses.
As ceratofitoses são essencialmente superficiais e popularmente conhecidas como pano branco ou pitiríase versicolor. A lenda popular costuma associar a contaminação à praia, mas este não é o principal meio difusor. O que ocorre no verão é que a pele fica esbranquiçada nas áreas onde se encontram as colônias fúngicas, contrastando com o bronzeado do verão.
O fungo causador dessa doença habita a pele de todas as pessoas e, em algumas delas, é capaz de se desenvolver, causando a pitiríase. O tratamento pode ser feito com medicamentos de uso oral ou local, conforme o grau de comprometimento. No entanto, há grandes chances de ela voltar a aparecer.
A pitríase tem variações de coloração, que no verão ficam mais evidentes, devido ao bronzeado. O fungo causador deste tipo de micose se reproduz em meios gordurosos, com maior produção de glândulas sebáceas. Por isso, rosto, braço e costas são áreas constantemente afetadas.
As dermatofitoses também são bastante comuns e surgem sobretudo nas áreas mais úmidas do corpo. Elas se desenvolvem mais facilmente quando o corpo está com baixa imunidade ou após uso sistêmico de antibióticos, que favorecem o desequilíbrio da pele. Se manifestam de várias formas, dependendo do local e do tipo de fungo. No corpo, as lesões são arredondadas, coçam e se iniciam como pontos avermelhados.
Os fungos têm três origens: o solo, os seres humanos e os animais. Para o tratamento adequado, é extremamente necessário localizar a origem do agente causador. Quando se tem um animal doméstico, é necessário verificar se ele está contaminado e trata-lo o quanto antes para evitar que outra pessoa da família também se contamine.
As dermatofitoses surgem sobretudo na virilha, nos pés e nas unhas. A micose do couro cabeludo ocorre quase que exclusivamente em crianças e desaparece com a chegada da puberdade. No tratamento, utilizamos medicações locais sob a forma de cremes, loções e talcos, ou remédios via oral, dependendo da intensidade do quadro clínico.
A micose de pé, popularmente conhecida como pé-de-atleta, caracterizada pela descamação da pele e por rachaduras entre os dedos, pode facilitar a ocorrência de outras infecções no organismo. É bastante comum pessoas com pé-de-atleta terem erisipelas – processo infeccioso da pele causado por uma bactéria que agride os vasos linfáticos – que deixam o organismo debilitado e causam febres altas. Para o tratamento, recomenda-se o uso de antifúngicos tópicos e, em alguns casos, medicação oral.
Doenças que diminuem a imunidade do organismo facilitam a reprodução de fungos e bactérias. Diabéticos e portadores do vírus HIV devem estar bastante atentos para evitar as micoses, que também estão relacionadas ao histórico de predisposição familiar e à hereditariedade. Quando existem casos frequentes de micose na família, os descendentes estão mais aptos a contrair a doença.
Subcutâneas ou sistêmicas
Nas micoses subcutâneas, que são raras, os fungos se proliferam através da circulação sanguínea e linfática e podem infectar não só a pele como órgãos internos como pulmões, intestinos, ossos e até mesmo o sistema nervoso. A mais frequente é a esporotricose considerada endêmia em algumas regiões do Brasil.
A contaminação se dá por traumatismos causados por fissuras ou arranhões, por exemplo, pelas unhas do gato. A doença é comum em jardineiros e empalhadores que trabalham em feiras livres. Após 3 dias, e no máximo em 12 semanas, podem aparecer os primeiros sintomas. O fungo atinge a pele e depois se prolifera pelo organismo. A esporotricose pode ser tratada com antifúngicos orais e não apresenta grandes complicações.
Prevenir é bem mais fácil
Tomar algumas precauções básicas evita os transtornos da micose. Na praia ou piscina, é aconselhável ter à mão uma toalha para secar as partes do corpo mais suscetíveis à infecção. Ficar com biquíni ou calção molhado por muito tempo facilita a proliferação de fungos.
É preciso evitar andar descalço em banheiros públicos de clubes e hotéis, e verificar se a água das piscinas passa por tratamento adequado. A transpiração é favorável a proliferação dos fungos. Tecidos como náilon ou tactel não absorvem o suor, deixam a pele úmida, principalmente nas dobras cutâneas. Usar sabonetes compostos por algum antifúngico, como o enxofre, afasta o risco de contrair as micoses e ajuda na higiene local. A limpeza do lugar afeto pelo fungo é essencial para controlar sua proliferação. Contudo, se a micose surgir, é preciso procurar orientação médica para afastar o risco de maiores danos. Neste caso, o tratamento é rápido e simples.
Para não correr o risco de ter o bronzeado salpicado de manchinhas brancas e avermelhadas, basta dar preferência aos tecidos de algodão, que deixam a transpiração passar, e evitar permanecer em trajes de banho o dia inteiro.
Esses cuidados são a garantia de um verão saudável. É só aproveitar!

