Comum, principalmente entre os adultos jovens, a hidradenite é uma infecção bacteriana nas glândulas sudoríparas. Ela pode atingir diversas áreas do corpo, mas é mais comum naquelas onde existe um número maior dessas glândulas, como na virilha, ao redor dos genitais, nos glúteos, nas axilas e em volta dos seios.
A hidradenite não costuma ser um problema crônico, porém podem ocorrer surtos seguidos e agudos que necessitarão de tratamento contínuo e especializado. Dados da Academia Americana de Dermatologia (AAD) indicam que até 4% da população sofre com o problema, mas poucos recebem o tratamento adequado por vergonha de buscar ajuda médica.
Segundo especialistas, a hidradenite acomete homens e mulheres com igual frequência. O estresse agudo e as alterações hormonais típicas do fim da adolescência podem contribuir para o seu aparecimento. Diabéticos e anêmicos, por terem um sistema imunológico mais frágil, podem ficar mais vulneráveis às infecções bacterianas.
A obstrução do ducto glandular com retenção de suor – por causa de roupas apertadas, uso de desodorantes ou hábitos de postura – também pode facilitar o aparecimento da infecção. Nas mulheres, ela costuma piorar no período pré-menstrual. No início, pode parecer um furúnculo, mas, ao contrário deste problema, a hidradenite atinge uma camada mais profunda da pele. Apesar de ser causada por uma bactéria, não é contagiosa.
Os nódulos inflamatórios, que podem ser do tamanho de uma ervilha ou até mesmo de uma bola de tênis, nos casos mais severos, podem evoluir de forma aguda ou crônica. A pele costuma ficar ondulada, avermelhada, quente e dolorida por algumas semanas. Quando a doença evolui, ou se ela é repetitiva, pode levar à fistulização, um endurecimento da área infeccionada. Neste caso, as cicatrizes são de difícil remoção.
Muito dolorosa, a fistulização pode causar marcas reversíveis na epiderme, principalmente se não for tratada adequadamente. Alguns pacientes reclamam de coceira no local, mas a dor e o inchaço são os sintomas mais comuns.
O aparecimento de pus na lesão, e posterior rompimento, não é sinal de que o quadro esteja melhorando, pelo contrário. Por isso, é importante procurar orientação médica.
Prevenção inclui mudança de hábitos
A AAD classifica a doença em três estágios. No primeiro, formam-se nódulos isolados e pequenos, causando leve desconforto. Geralmente, desaparecem em uma semana e podem ser confundidos com acne. No segundo estágio, as pústulas costumam ser recorrentes e doloridas e podem deixar cicatrizes. No último, os nódulos são grandes, chegando ao tamanho de uma bola de tênis ou frescobol (em casos mais graves), e costumam apresentar melhora apenas com intervenção cirúrgica associada a medicamentos.
O tratamento varia de acordo com o caso. O dermatologista pode fazer uma cultura da secreção para verificar se há ou não uma infecção secundária e definir que remédios são os mais indicados.
Nos EUA, médicos estão experimentando o tratamento com laser CO2 na tentativa de reduzir o aparecimento das lesões, mas ainda não há resultados conclusivos sobre essa experiência.
Mudar alguns hábitos podem diminuir a reincidência da crise ou até mesmo preveni-la. Tomar banho com sabonete antisséptico pode ajudar a conter a proliferação de bactérias. O ideal é preferir o desodorante em bastão, não usar anti transpirastes (que tampam os poros), e evitar a depilação com cera, creme ou lâmina, na área atingida, por algumas semanas ou até meses. Se isso não for possível, os pelos devem serem raspados sempre no sentido do crescimento dos fios. Não usar roupas apertadas ou confeccionadas com tecido sintético, que podem estimular o aparecimento de infecções na pele, também ajuda a prevenir o surgimento da hidradenite.
O mais importante, além de adotar essas medidas profiláticas, é buscar logo orientação especializada, de modo a evitar que o quadro se agrave, acentuando o desconforto.

