A pele púrpura brilhante, a versatilidade no uso gastronômico, a textura que lembra carne, favorecendo seu uso em dietas vegetarianas – a berinjela é atualmente um dos vegetais mais apreciados na culinária.
Chegou-se a atribuir a ela até mesmo a capacidade de emagrecer e reduzir o colesterol. Uma crença que produziu modismos radicais como o de tomar pela manhã, em jejum, um copo de suco de berinjela crua batida com água ou laranja. Modismo pouco saboroso, aliás. Mas até que ponto é verdade que a berinjela atua na diminuição dos níveis de colesterol?
Nutricionistas dizem que a hortaliça apresenta benefícios indiscutíveis. A berinjela possui várias propriedades antibacterianas, é diurética (com alto teor de água) e altamente rica em fibras solúveis, que não atrapalham a absorção de outros nutrientes pelo organismo.
É recomendada para diabéticos, pois ajuda a normalizar os níveis de glicose no sangue, e para pessoas com hipertensão arterial, por diminuir os níveis de gordura no sangue.
Seu uso também é apropriado na prevenção do câncer de maneira geral e no combate à obesidade, porque, além do baio teor calórico – 100 gramas contêm dezenove calorias – as fibras solúveis dão grande sensação de saciedade. No entanto, não bale apegar-se a esta qualidade e ingerir o vegetal em receitas que incluam elementos calóricos, à milanesa, em frituras, com excesso de azeite, acompanhada de queijos gordurosos, etc.
A berinjela contém vitaminas do complexo B, A e C, além de uma pequena quantidade de cálcio, ferro e fósforo. Na hora da compra, deve-se escolher os vegetais firmes, com o roxo da casca bem lustroso e uniforme. Aqueles com partes machucadas ou enrugadas devem ser rejeitados, assim como os excessivamente maduros, pois em geral possuem a polpa com sabor amargo e desagradável.
Maçãs do amor e da loucura
Apesar de tantas propriedades benéficas à saúde, a berinjela nem sempre desfrutou de boa reputação. Houve uma época em que se acreditava que seu consumo poderia causar demência, entre outros males.
A planta nativa da Índia e há registros de seu cultivo há mais de quatro mil anos, especialmente nas regiões de Burma e Assam. Da Índia se espalhou para a China, onde se transformou – desde o século V antes de Cristo – num dos mais valorizados ingredientes culinários, alimentando várias gerações de imperadores chineses. Na China foram desenvolvidas variedades próprias, sobretudo um tipo menor do vegetal, assim como diferentes formatos e cores.
No Ocidente, foi introduzida pelos mouros na Espanha por volta do século IV. Os espanhóis tinham grande respeito pela berinjela. Acreditavam, no século XVI, que era um poderoso afrodisíaco e referiam-se a ela como berenjenas, ou maçãs do amor. Já os habitantes do norte da Europa a tinham em péssima conta: achavam que causava loucura e epilepsia, e por isso a denominavam mal insana, corruptela do nome italiano melanzana.
Sua presença nas cozinhas árabe, turca e persa data do século IX. Somente na Turquia existem centenas de receitas originais que utilizam a berinjela de diferentes maneiras.
No Brasil há indícios de que ela apareceu por volta de 1650, trazida pelos navegadores. Nos Estados Unidos, tornou-se conhecida mais de um século e meio depois, mas só a partir do século XX ganhou maior importância na alimentação. Antes disso era empregada, sobretudo, na decoração, servindo para a ornamentação de mesas.
Iscas de berinjela – uma receita bem simples e versátil
Uma compota de berinjela que pode ser deixada na geladeira, sendo ótima para saladas, sanduíches e acompanhamento de carnes.
A berinjela deve ser cortada em fatias finas e depois em tirinhas. Deixa-se um pouco na água para eliminar o sabor amargo do vegetal. Depois de escorrer a água, deve-se arrumar as fatias num pirex, acrescentando tirinhas de cebola, pimentão vermelho (ou amarelo) e ervas à vontade (salsinha, coentro, orégano, manjericão, etc), além de um tempero (molho inglês ou shoyu). O pirex é levado ao forno baixo. Depois de assada, a berinjela é retirada e regada com azeite extravirgem. Quando estiver fria, deve ser guardada na geladeira como compota.
Também há uma variação quente desta receita: basta juntar a compota a cubinhos de queijo Minas, ricota ou queijo de cabra e gratinar. Outra opção saudável e saborosa é cortar a berinjela em rodelas finas, temperar com sal e levar ao forno. Retirar e servir quente, regando com azeite.
Há muitas outras possibilidades, invente a sua!

